Amor Ad Aeternum
Fazemos um poema juntos?
Amor grande, amor nenhum
Amor todo ele inteiro
Fragmentado pelo tempo
Na nossa linha de vida
Onde nos perdemos pra sempre
E nos tivemos em cada momento
Os teus pés
Que em vez de aquecer os meus
Num dia de chuva
Debaixo dos lençóis
Foi dar a volta ao mundo
Conhecer outras fés
Outras estradas, outro Deus
Conhecer outros céus
Cor de vinho uva
Esses teus pés…
Que não vieram a mim
Como me dóis
Os teus braços
Que abraçaram os cantos
Dos lugares onde andaste sem mim
E eu aqui, no fim
Com saudades dos abraços
Que não me deste
Porque não pudeste
Ou não quiseste
Ou não soubeste querer
E deixaste-me viver
Meio a morrer
De saudade, de loucura
Pensando que a vida era dura
Porque não te tive aqui
E no fim a culpa
É minha
Porque não soube parar de te querer
Não soube deixar-te ir
Ver-te partir
Não porque não quis
Mas porque o destino brincou comigo
Brincou connosco
Como se fosses um velho amigo
Que cruzou por mim em Agosto
Deixando o teu perfurme no ar
Os meus pulmões sem ar
Recordando-me que de alguma forma
No sorriso ou na dor
De te pensar
De te ver
De te sonhar
Vives em mim
Porque a tua alma é cola na minha
E de te amar
De te querer
E de te sonhar sem fim
Nunca me deixei deixar-te ir.
O certo é aceitar
E ser-me honesto
Que o teu amor
É o meu amor eterno.
— Escrevi este poema quando o Poeta da Cidade recitou o seu poema "Talvez, se" no dia 3 de Abril deste ano.